O Brasil pode enfrentar novamente uma crise no transporte rodoviário: caminhoneiros de diferentes estados anunciaram que estão prontos para iniciar uma greve nacional caso o governo não apresente medidas mais efetivas contra o aumento do diesel. A categoria afirma que os reajustes recentes tornaram inviável a atividade, já que o preço do combustível subiu quase 19% desde fevereiro.
Apesar de iniciativas como a redução de impostos federais e a criação de uma subvenção em março, os caminhoneiros alegam que os benefícios não chegaram às bombas. A Petrobras reajustou o preço em R$ 0,38 por litro logo após os anúncios, anulando o impacto das medidas. O setor reclama que o frete não acompanha os custos e que muitos motoristas já trabalham no prejuízo.
Mobilização nacional
Assembleias realizadas em polos logísticos, como o Porto de Santos (SP) e o complexo portuário de Itajaí (SC), indicam adesão crescente ao movimento. Wallace Landim, conhecido como “Chorão” e presidente da Abrava, declarou que “vai ter greve” e que rodovias podem ser bloqueadas. O Brasil conta hoje com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e outros 750 mil contratados, o que amplia o potencial de impacto da paralisação.
Reivindicações
Entre os principais pontos exigidos pela categoria estão:
- Cumprimento da tabela de frete mínimo prevista em lei.
- Isenção de pedágio para caminhões sem carga.
- Criação de mecanismos que garantam valores mínimos nas contratações.
- Medidas estruturais, como teto para o diesel e até propostas de reestatização da distribuidora.
Uma paralisação nacional poderia afetar rapidamente o abastecimento de supermercados, indústrias e postos de combustível, já que mais de 60% da logística brasileira depende do transporte rodoviário. Além disso, especialistas alertam para o risco de alta nos preços de alimentos e produtos básicos, pressionando ainda mais a inflação.
Essa nova ameaça de greve remete à crise de 2018, quando o país parou por 11 dias e o governo foi obrigado a negociar a criação da política de frete mínimo. Agora, os caminhoneiros afirmam que a luta é pela sobrevivência da categoria, diante de custos que não param de subir.


