O que está em jogo
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), considerada a única mina de argilas iônicas em atividade no Brasil. O local produz elementos como disprósio, térbio e ítrio, fundamentais para a fabricação de semicondutores, turbinas e veículos elétricos.
Com o acordo, a USAR passa a controlar a produção e já firmou contrato de fornecimento de longo prazo com entidades ligadas ao governo dos Estados Unidos, garantindo acesso exclusivo a parte significativa desses minerais.
Críticas do presidente
Durante discurso, Lula classificou a operação como “uma vergonha” e acusou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de “vender o Brasil”. Segundo o presidente, a concessão de exploração mineral é competência da União, e não dos estados.
Ele também alertou para o risco de o país se tornar apenas exportador de matéria-prima, sem desenvolver tecnologia própria para agregar valor aos recursos estratégicos.
Disputa global
A venda ocorre em meio à disputa geopolítica entre China e Estados Unidos pelo controle das terras raras. Atualmente, mais de 90% da produção mundial está concentrada na China, e os EUA buscam alternativas para reduzir a dependência.
Reações e próximos passos
- Governo Federal: avalia medidas jurídicas para contestar o acordo.
- Especialistas: defendem a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para evitar perda de protagonismo.
- Mercado: analistas apontam que a operação pode abrir caminho para novas aquisições de empresas brasileiras do setor.
A venda da Serra Verde expõe um dilema central: atrair investimentos estrangeiros ou preservar o controle nacional sobre recursos estratégicos. Para Lula, o episódio simboliza uma ameaça à soberania, enquanto para os EUA representa um avanço na corrida global contra a China.


