Médicos alertam sobre os problemas do coração
por Dárcio Alves
Brasília - No Brasil, a cada dois minutos uma pessoa é vítima de morte
súbita. O cálculo é da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas
(Sobrac), que promove neste domingo (12) a Campanha Coração na Batida
Certa, em todas as capitais brasileiras. Além de demonstração do uso
correto dos desfibriladores externos automáticos, médicos e outros
profissionais de saúde orientam as pessoas sobre como prevenir arritmias
cardíacas. Eles estão em parques, centros de compras e praias. As
atividades fazem parte do Dia Nacional de Prevenção das Arritmias
Cardíacas e Morte Súbita.
Segundo o presidente da Sobrac, Adalberto Lorga Filho, mais do que
chamar a atenção para a doença e as suas consequências, a campanha quer
conscientizar a população sobre a importância de boas práticas de saúde,
como a atividade física regular e a consulta periódica a um
profissional especializado. As recomendações incluem controle de peso,
da pressão arterial e do diabetes, além de alimentação com pouco sal.
Doença silenciosa com incidência maior no sexo masculino, a arritmia
cardíaca é responsável por 80% a 90% dos casos de morte súbita. A
prevalência maior se dá na faixa etária entre 45 e 75 anos. A doença
também acomete pessoas na faixa etária mais produtiva da vida e de
muitos atletas, geralmente jovens e saudáveis.
Segundo o cardiologista e arritmologista José Sobral Neto, a falta de
informação atrapalha muito a prevenção. Quando o problema aparece em
pessoas até 35 anos de idade, normalmente, a origem é genética. “ As
pessoas nessa faixa etária, que têm casos na família, devem ficar
atentas e fazer exames preventivos uma vez por ano”, explica. O médico
diz ainda que muitas vezes os pacientes subestimam alguns sintomas, como
tonturas, desmaios e dores e não procuram o médico para investigar
melhor o que aconteceu. " Isso é um erro", alerta.
Entre os cardiologistas, um exemplo clássico de que uma arritmia pode
levar à morte súbita é o caso do jogador Sérginho, do São Caetano do
Sul, que morreu durante uma partida de futebol em 2004. Mais
recentemente, a jogadora da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino Dani
Lins foi diagnosticada com arritmia cardíaca, causada por uma virose. A
atleta teve o problema superado e voltou à treinar normalmente. No
entanto, em alguns casos mais severos e, caso seja um atleta de alto
desempenho, pode ser necessária a interrupção da prática esportiva.
Durante o Heart Rhythm Society (HRS) 2012, congresso internacional
sobre arritmias cardíacas, foi apresentado um estudo sobre a segurança
da prática esportiva para atletas que implantaram um desfibrilador. O
equipamento converte todos os episódios de taquicardia por meio de um
choque direcionado ao coração. Dos 372 pacientes acompanhados, apenas
sete apresentaram parada cardiorrespiratória. Todos resolveram o
problema que foi revertido com sucesso pelos choques do equipamento.
“Este registro abre novos horizontes para a melhor compreensão da
história natural das doenças desses pacientes, bem como novas
perspectivas no tratamento de atletas, não só prolongando a sobrevida,
mas também preservando a qualidade de vida", avalia do Bruno Valdigem,
especialista em eletrofisiologia clínica e invasiva pela Sociedade
Brasileira de Arritmias Cardíacas.
Agência Brasil
Comentários
Postar um comentário
Os comentários aqui postados são de inteira responsabilidade do internauta.