Lula defende reciprocidade comercial e mira novos parceiros na Ásia


Foto: Reprodução / Rede Globo


Araguari (MG) — Em evento realizado nesta sexta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a necessidade de o Brasil adotar uma postura mais firme nas relações comerciais internacionais. Em discurso, Lula destacou que o país não deve se lamentar pela queda na participação dos Estados Unidos no comércio brasileiro, mas sim buscar alternativas e aplicar a chamada “reciprocidade” nas negociações.

“Eu não vou ficar chorando o leite derramado. Antigamente, o comércio do Brasil com os Estados Unidos significava 25%, hoje significa apenas 12%. Agora, o que nós temos que fazer? O que nós temos é que dar a resposta da reciprocidade naquilo que a gente quer fazer”, afirmou Lula.

O presidente anunciou que visitará 11 países da Ásia em outubro, com o objetivo de ampliar a presença de produtos brasileiros no continente. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação de parceiros comerciais, diante das tensões recentes com os Estados Unidos.

 Lei da Reciprocidade: resposta às tarifas americanas

A fala de Lula ocorre em meio à sanção da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em abril e oficialmente comunicada à Embaixada dos EUA em Washington nesta semana. A legislação permite ao Brasil aplicar tarifas equivalentes às impostas por outros países, como forma de garantir equilíbrio nas relações comerciais.

A medida foi tomada após o governo norte-americano, sob a presidência de Donald Trump, impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne, café e calçados. Lula afirmou que não pretende iniciar uma guerra comercial, mas que o Brasil precisa se posicionar com firmeza:

 “Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos, eu quero negociar”, disse o presidente.

 Diplomacia ativa e busca por novos mercados

Além da aplicação da lei, o governo brasileiro já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e mobilizou uma comitiva liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para buscar acordos comerciais com outros países. A expectativa é que a visita à Ásia fortaleça laços com economias emergentes e amplie o acesso de produtos brasileiros a mercados estratégicos.

Enquanto isso, entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pedem cautela e defendem a persistência nas negociações com os EUA, alertando para possíveis impactos nas exportações brasileiras.

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