Dilma pedirá ao Mercosul e à Unasul que avaliem 'golpe em curso' no Brasil
Foto: Roberto Stuckert Filho / PR
"Está em curso no Brasil um golpe", disse a presidente Dilma
Rousseff nesta sexta-feira (22) a jornalistas em Nova York, ressaltando
que quer que o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul)
avaliem o processo. "Dizer que não é golpe é tapar o sol com a peneira.
Eu sou uma vítima, sou uma pessoa injustiçada", ressaltou Dilma,
destacando que não se pode admitir um processo de impeachment que, na
verdade, segundo ela, é uma eleição indireta. "Sou vítima de um processo
absolutamente infundado", reforçou. Dilma afirmou que vai se "esforçar
muito" para convencer os senadores sobre a falta de fundamentação do
processo de que é vítima no Congresso. "O ministro da Justiça, o
ministro da Fazenda, todos nós vamos lá junto aos senadores debater,
explicar e dar todas as informações necessárias." A presidente afirmou
que não teve o respaldo necessário por segmentos da Câmara, mas disse
ter certeza que será ouvida no Senado. "Depois os senadores votam como
achar que devem." Questionada sobre a proposta de novas eleições, Dilma
afirmou que não acusa as pessoas que tenha essa ideia de golpistas. "Uma
coisa é eleição direta, com votos e o povo brasileiro participando. Mas
tem que ser me dado o direito de defender o meu mandato. Não sou uma
pessoa apegada a cargos, mas estou defendendo o meu mandato", afirmou
Dilma aos jornalistas. Dilma afirmou que, desde que assumiu a
Presidência da República, em 2011, desenvolveu relacionamentos pessoais
com líderes mundiais e que eles têm mostrado solidariedade a ela. Um
grupo que defende o impeachment de Dilma e outro contrário ao
impedimento protestaram nesta sexta-feira na porta da residência oficial
do embaixador brasileiro nas Nações Unidas (ONU), onde Dilma está
hospedada. A polícia dividiu os dois grupos e os que defendem a saída de
Dilma gritavam frases como "estamos na rua para derrubar o PT" e ainda
provocavam os contra à saída com frases como "socialistas de iPhone em
Nova York". Os manifestantes contra o impeachment distribuíram flores e
pediram a defesa da democracia no Brasil.
por Altamiro Silva Junior e Cláudia Trevisan | Estadão Conteúdo