Vitória da Conquista: Vereador Dinho dos Campinhos deve deixar Mesa Diretora e poderá até perder o mandato por prática de 'Rachadinha'
O vereador Gilvan Nunes Pereira (Republicanos), popularmente chamado de Dinho dos Campinhos, deve oficializar sua saída do cargo de segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Vitória da Conquista na próxima sessão, marcada para quarta-feira (13). A decisão já circula nos bastidores políticos da cidade.
A expectativa é que a vaga seja assumida por Nelson de Vivi (PSDB). A atual Mesa Diretora, eleita para o biênio 2025-2026, é composta pelo presidente Ivan Cordeiro (PL), o primeiro vice-presidente Luciano Gomes (PCdoB), a segunda vice-presidente Cris de Lúcia (MDB), o primeiro secretário Hermínio Oliveira (PP) e, até então, Dinho dos Campinhos como segundo secretário.
A renúncia ocorre em meio às denúncias que envolvem o parlamentar. Reportagem exibida pela TV Sudoeste em abril revelou suspeitas de um esquema de “rachadinha” em seu gabinete. De acordo com a acusação, um assessor teria sido obrigado a devolver parte do salário ao vereador por meio de transferências via Pix. Documentos anexados ao caso mostram movimentações financeiras logo após os pagamentos.
Entre os comprovantes apresentados, há registros de valores superiores ao salário líquido do servidor sendo transferidos para o vereador, deixando-o com quantias mínimas na conta. Mensagens atribuídas a Dinho também foram divulgadas, incluindo pedidos de chave Pix e orientações para apagar os comprovantes das transações.
A denúncia aponta que o esquema teria se repetido por vários meses, com valores entre R$ 45 mil e R$ 60 mil supostamente repassados ao parlamentar, destinados ao pagamento de apoiadores políticos. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e à Corregedoria da Câmara, que já confirmaram o recebimento do material.
Se confirmadas as irregularidades, Dinho poderá enfrentar punições que vão de advertência até a perda do mandato. Dados da Justiça Eleitoral indicam ainda uma mudança significativa em seu patrimônio declarado: em 2020, o vereador afirmou não possuir bens, mas na eleição mais recente declarou R$ 220 mil.
A defesa do parlamentar nega as acusações e sustenta que não houve “rachadinha”, mas sim uma tentativa de extorsão por parte do assessor. Em nota enviada à TV Sudoeste, o advogado de Dinho afirmou que o vereador atua com “ética e transparência” e que colaborará com as investigações para comprovar sua inocência.

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